SOlodoreidade ao meu minino The “G”

Bem, depois daquele último post… Tão… enrubrescente de meu minino quirido The “G”, G-Man (tan tan tan tanranranran…). Somado a este vento quente do norte que invadiu o Centro Oeste, fazendo ferverem desde os miolos dos desocupados, às entranhas das moças que passam sem querer pelo asfalto escorrente deste lugar. Pois o Véi, que também entranhas tem, há de pô-las aqui de fora e contar um causo… Sem moral, sem retórica, sem nada. Puramente um causo desses comuns que podem acontecer a pessoas comuns… E que acontece. E que sirva de inspiração… Espera o Véi…

Laisvai! Paciênça num é vontade, é virtude. Ou se tem, ou…

Parados os dois diante de um dia desses de quarta-feira, bem no pino das seis da tarde, quando ao fim de setembro o sol do planalto central decide-se pela despedida quase sem briga com a noite por alguns minutos a mais… O rapaz embriagado por tanta coisa comum – mas em favor do sentimentalismo meloso, molusco, viscoso, que ali lhe transbordava – sentia que nem novela ou romance teriam maior perfeição e harmonia. Mão esquerda sobre os cabelos da moça, que não por costume, mas pela lógica sentimental (como um e um são um só e fim) guardava a cabeça sobre seu peito. Tinha por aquele exato instante uma vontade, imensa, de parar o tempo.

Quando sem mais nem menos, por um descuido dela ou talvez dele, o sol pulou horizonte abaixo, sem pedir licença. A moça ergueu a cabeça, girou pouca coisa a um lado e a outro, como se procurasse um bicho solto da coleira…

― O sol se foi. ― Balbuciou, quase sem vontade. Após isso, fixou bem o olhar sobre o rosto do rapaz, como se esperasse uma resposta, uma solução qualquer, a tamanha mal-criação daquela tarde que não se fez eterna.

― Mas você continua comigo! ― Completou logo, voltando a cabeça à posição anterior e afagando com um beijo simples e terno o peito do rapaz. Havendo dito isso como se solução fosse ao problema por ela própria suscitado. Súbito instante ele esteve tão leve, tão extasiado, que parecia haver voado. E como voam os que ouvem, sem esperar, o que querem quase sem querer.

Naquele instante, pensou em tudo de belo que já havia lido, que já havia ouvido, mesmo que já havia dito. Qualquer coisa que fosse a chave da resposta pro tempo que corria levando o momento pra longe, como a peça a se encaixar no instante, no completar de atos, circunstâncias ou palavras. Deveria haver uma palavra mágica. Uma especial que quando profanada fizesse entendimento de quanto bem-querer havia empenhado. Uma palavra que arrancasse o sorriso mais sincero do fundo da alma. Engolia com os olhos as cores do morrer do dia, ainda naquele rosado, alaranjado, amarelado, azulado. Pensava que assim como aquela cor não tinha um nome só, além é claro de “Cor-de-por-do-sol”, não havia um elogio à altura dela. Não outro além do próprio nome e sobrenome. Tão complexo que só compreensível a ele, tão único que só dela.

― Te amo! ― Disse beijando sua testa e findou. Fixou o olhar ao dela – mais uma vez o repente estático, corrente nas veias dos embriagados, destes de amorosa monotonia – na esperança de observar ali uma reação de encanto e derretimento. A sincera e doce reação. Por um instante a moça abriu um sorriso de canto, logo veio um expiro de risada interrompida, como se fosse só uma pontinha.

― ‘Tá’ errado!

Ele por surpresa e espanto fixou-lhe os olhos imediatamente, entre o achar que era brincadeira e querer dar enredo e o pensar que era loucura e descobrir por que.

― É assim então? Você duvida do que eu sinto? Justo agora, depois de tanto tempo? Será que eu fiz alguma coisa? Isso é…

― Não seu bobo! Calma, não me afoga com tantas perguntas que ficas viúvo sem nem te casares. Disse que ‘tá’ errado porque assassinaste gravemente nossa bela língua portuguesa. Próclise, em início de oração, não convêm. A coitadinha é muito pequena pra carregar um verbo inteiro sem ajuda de um sujeito responsável, ou que venha o verbo antes, tornando-se então ênclise.

― Você e esse seu português… Parece mais uma “viadagem” só! “Nossa bela língua portuguesa”… Não sei como ainda não me trocou por ele, esse seu “português”.

― E não o faço? Não vês em tantas vezes que deixo de ficar contigo pra estudar ou dar minhas aulas.

― Olha aí… fica até falando em segunda pessoa, cheia de “esses”, fresca não… que é isso! Mas dessa vez, você quem tá errada! Trata a gramática como se fosse uma matemática. Vou explicar como o que eu disse tá certo sim!

― Ah! Sim…

― Sim senhorita! Quando digo que “te amo”, não quero dizer “eu amo você”, “eu te amo” ou menos ainda “amo-te”. Porque quando digo que te amo, é muito mais que se eu dissesse qualquer dessas outras coisas. O “te amo” é puro e inteiro verbo. Um verbo que só eu e mais ninguém conjuga nesse mundo. Quando digo que “te amo”, evito ainda de cometer outro erro maior, o pleonasmo. Porque se alguém te ama nesse mundo, esse alguém só posso ser eu. Seria redundante o “eu” antes disso. Tão óbvio, tão claro e verdade que já fica subentendido, antes de qualquer coisa, que eu… Pela autoridade a mim concedida na sabedoria da gramática sentimental que toca aos corações humanos… Te amo.

Um beijo estalou no ar como se fosse combinado de antemão. Nem pudera ser dito se fora ele ou ela quem começou. Se não tivesse escolhido observar os corações apaixonados dos Andes, que inveja teria o sol, gaboso em seu adeus tão repentino, da rapidez com que se fez esta chegada, que mal, pouco ou nada podia esperar.

― Te amo! ― Disse a moça com toda a autoridade de um português impecável.

Arquivado em: Blogs Brasilia, Devaneios Juvenis, Mulé pelada, Nada a ver, Polêmica

1 Response

  1. The "G" Diz:

    Meu veio Doroteu, a você, nada além de:
    -clap,clap,clap!

    Postado em Outubro 29th, 2008 at 11:05

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